Mulher e liberdade financeira

   11/05/2021 00:00:00     Living
Mulher e liberdade financeira

Nós, mulheres, no nosso caminho para a liberdade, ganhámos muitas batalhas. Passo a passo. Sem pressa, mas sem pausa, soubemos conquistar a nossa liberdade de escolha e a nossa liberdade de expressão e de ação: hoje podemos escolher sem amarras o que queremos fazer com a nossa vida: se trabalhamos ou não, se casamos ou não, se temos filhos ou não. Podemos exprimir livremente os nossos pontos de vista, as nossas opiniões, o nosso estado de espírito: na forma de vestir, de falar, de escrever e até de sonhar. Podemos fazer o que desejamos: um curso universitário, trabalhar, viajar… Sim, viajar. Talvez lhe pareça óbvio que as mulheres podem viajar para onde quiserem, com quem quiserem e quando quiserem. Mas, até há não muitos anos, para ir a outra cidade ou a outro país, precisávamos da autorização dos nossos maridos. Sim, isso mesmo. E há mais. Embora pareça incrível, em Espanha só tivemos direito de voto a partir de 1931. E, até 1981, os bens comuns do casal e o poder paternal sobre os filhos pertenciam aos homens.

Como vê, desde o século passado, muita coisa mudou. No entanto, ainda há muito caminho a percorrer, entre outras coisas no que diz respeito às mulheres e às finanças.

Apesar de possuirmos mais de 40% da riqueza mundial, nós, mulheres, ainda estamos longe de ter a educação financeira necessária para gerir e investir esta grande quantidade de dinheiro. A mulher está a avançar a passos largos no plano profissional, com acesso a cada vez mais profissões e empregos bem pagos. No entanto, não estamos a avançar tão depressa a saber gerir o nosso dinheiro, e muito menos a multiplicá-lo. De facto, segundo um artigo publicado na revista Fortune*, as mulheres têm 71% do seu dinheiro em numerário. Poupado no banco. É que às vezes confundimos poupança e investimento. Mas poupança e investimento não são a mesma coisa. E poupar em excesso faz com que o seu dinheiro perca valor.

Porque é importante saber gerir e investir o nosso dinheiro?

Entre outras razões, porque:

  1. Cada euro que ganha custa-lhe tempo e energia. O dinheiro que tem foi trocado pelo seu tempo e pela sua energia, por isso vai concordar comigo que é importante termos consciência daquilo em que gastamos o nosso dinheiro e sermos seletivas nos gastos. Imagine que o seu salário é de 2400 euros por mês e que no mês passado comprou um telemóvel topo de gama por 1200 euros. Esse telemóvel custou-lhe 15 dias de esforço. Pergunte-se: valeu a pena esse esforço para comprar este telemóvel? Só a senhora tem a resposta, e é importante fazer-se esta pergunta para ir criando uma mentalidade sobre o dinheiro e aprender a conhecer e controlar os seus gastos.
  2. Há situações inesperadas que podem trazer grandes despesas: se gerir bem o seu dinheiro e criar poupanças, conseguirá enfrentar qualquer imprevisto, como a perda de emprego no caso mais extremo, ou uma fatura médica elevada.
  3. As suas poupanças podem trabalhar para si. Ao investir os seus "excedentes", o seu dinheiro multiplica-se, gerando rentabilidade e até um rendimento adicional. É o que acontece quando tem ações, fundos de investimento ou uma casa arrendada. Tem ativos no seu património que, além de se poderem valorizar (e valorizam se pensar a longo prazo), lhe geram rendimentos sempre que são distribuídos dividendos ou recebe a renda.

E como posso gerir melhor o meu dinheiro?

A resposta é tão fácil de dizer como difícil de pôr em prática: mudando os hábitos financeiros. Para isso, primeiro tem de ser capaz de identificar os seus hábitos atuais e decidir que rotinas quer mudar. Depois, defina objetivos concretos que a ajudem a adotar essas novas práticas financeiras. Quando os novos hábitos fizerem parte da sua rotina, já não terá de prestar muita atenção ao que faz com o seu dinheiro, porque simplesmente o fará. Por exemplo, se quiser criar o hábito de poupar, pode definir como objetivo separar 5% do salário no próprio dia em que o recebe. Pode abrir uma conta poupança e transferir esses 5% todos os meses. Pode levar algum tempo a habituar-se a "abdicar" de uma parte do salário, mas quando se habituar e o automatizar, já não vai pensar mais nisso.

A liberdade financeira

A liberdade financeira é um dos meios através dos quais nós, mulheres, podemos alcançar a nossa verdadeira liberdade. Seja o que for que entenda por liberdade, umas finanças saudáveis vão sempre ajudar. Porque saber que tem (e terá) dinheiro suficiente para o estilo de vida que deseja vai libertá-la da angústia de estar sempre a pensar em dinheiro. A liberdade financeira permite-lhe confiar mais no futuro, livrar-se das preocupações económicas e ser quem é, fazendo o que quer da sua vida. Mas atenção: esta liberdade não se consegue de um dia para o outro. Para alcançar a liberdade financeira precisa de conhecimentos, objetivos, compromisso, constância e de assumir algum risco.

  • Conhecimentos: adquira a educação financeira básica que lhe permita conhecer as suas finanças e distinguir entre diferentes tipos de investimento. Assim estará preparada para tomar as melhores decisões financeiras em cada momento da sua vida.
  • Objetivos: defina os seus objetivos financeiros através de um planeamento financeiro (um plano de poupança e investimento sistemático).
  • Compromisso: comprometa-se a pôr o seu planeamento financeiro em prática.
  • Constância: depois de começar a agir, não pare. Continue!
  • Risco: qualquer investimento implica um risco. O valor dos investimentos oscila e, por isso, não é garantido (pelo menos a curto prazo). O que é garantido é que, se não investir, ou seja, se deixar o dinheiro na conta à ordem, já está a perder dinheiro devido à perda de poder de compra causada pela inflação.

O importante da liberdade e da independência financeiras é aprender a assumir o controlo das suas finanças e do seu dinheiro. Ser capaz de projetar o seu futuro financeiro através de um plano que, à medida que o cumpre, lhe vai dando cada vez mais liberdade, mais segurança e mais tranquilidade.

E a ferramenta básica para assumir o controlo das suas finanças e do seu dinheiro é a educação financeira, um dos pilares que ainda falha no empoderamento feminino.

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